Jack Dorsey demitiu 40% da Block para reconstruí-la como 'inteligência'
Jack Dorsey, fundador do Twitter e CEO da Block (Square, Cash App), cortou quase metade do quadro de funcionários em uma aposta radical: reconstruir a empresa c
Jack Dorsey demitiu 40% da Block para reconstruí-la como “inteligência”
Jack Dorsey, cofundador do Twitter e CEO da Block (empresa por trás do Square e Cash App), acabou de fazer um dos movimentos mais radicais que já vimos em big tech: cortou quase metade dos funcionários da empresa. Estamos falando de cerca de 4.000 pessoas de um total de 10.000.
A justificativa? Não é corte de custos tradicional. Dorsey diz que está reconstruindo a Block do zero, com IA no centro de tudo. Em entrevista exclusiva à WIRED, ele foi direto: “Temos que repensar como empresas funcionam, como são estruturadas, como são construídas. Precisa ser mais próximo de construir a empresa como uma inteligência.”
O timing não é coincidência. Dorsey aponta que algo mudou drasticamente em dezembro com os novos modelos de IA — especificamente o Opus 4.6 da Anthropic e o Codex 5.3 da OpenAI. Segundo ele, essas ferramentas deixaram de ser boas apenas para projetos novos e passaram a funcionar bem em bases de código grandes e complexas. Isso muda tudo.
O que está acontecendo
A Block não é uma startup passando por dificuldades. A empresa lucrou quase 3 bilhões de dólares no último trimestre e tem um valor de mercado de 39 bilhões. Dorsey faz questão de deixar claro que não estava com excesso de funcionários pelos padrões da indústria — o lucro bruto por funcionário estava igual ou acima dos concorrentes.
Então por que cortar tanta gente? Porque ele acredita que a estrutura tradicional de empresa está prestes a se tornar obsoleta. Em vez de otimizar processos existentes com IA, Dorsey quer reconstruir a empresa inteira em torno dessas ferramentas.
Quando perguntado se estava usando IA como desculpa para cortes que já queria fazer (o chamado “AI-washing”), Dorsey respondeu que queria agir proativamente. “Se eu deixasse isso se arrastar, estaríamos em posição pior”, disse. A ideia é fazer o movimento agora, enquanto a empresa está forte e pode oferecer pacotes de demissão generosos, em vez de esperar até ter as costas contra a parede.
Os funcionários não receberam bem a notícia. Em uma reunião interna após o anúncio, um deles questionou por que Dorsey estava usando um boné escrito “LOVE” enquanto demitia milhares de pessoas. Dorsey defendeu que quis abordar a situação “com amor” e disse que, apesar das críticas, também recebeu gratidão de muitos funcionários.
Por que isso importa pra você
Esse movimento da Block não é isolado. Dorsey está sinalizando algo que provavelmente veremos em outras grandes empresas de tecnologia nos próximos meses: reestruturação total, não otimização incremental.
Se você trabalha com tecnologia, a mensagem é clara. Não estamos mais falando de IA como ferramenta que ajuda no trabalho. Estamos falando de IA substituindo funções inteiras. A diferença é brutal.
Pra quem está no mercado de trabalho, o recado é: adapte-se rápido. As habilidades que te trouxeram até aqui podem não ser as que vão te manter empregado. Entender profundamente como usar ferramentas de IA e, mais importante, como criar valor que elas ainda não conseguem criar, virou prioridade.
Pra quem empreende ou lidera times, a pergunta que Dorsey está fazendo vale a reflexão: se você fosse reconstruir sua empresa hoje, do zero, com as ferramentas de IA disponíveis, ela teria a mesma estrutura? Provavelmente não.
O que esperar
Dorsey deixou claro que não sabe qual será o resultado final dessa transformação. Mas ele prefere descobrir experimentando do que esperando outros descobrirem primeiro.
Outras big techs estão observando. Se a Block conseguir manter ou aumentar sua produtividade com metade dos funcionários, vai criar pressão enorme pra que concorrentes façam o mesmo. E não só em fintech — qualquer empresa intensiva em software está na mira.
O movimento também levanta questões que ainda não têm resposta. Como fica a inovação quando você tem menos pessoas pensando em problemas? Como fica a cultura de uma empresa reconstruída em torno de automação? E, talvez mais importante: se isso funcionar, o que acontece com os milhares de profissionais de tecnologia que construíram suas carreiras em estruturas que estão prestes a desaparecer?
Dorsey sempre foi alguém que abraça tecnologias que ele vê como futuro, seja Bitcoin ou IA. Às vezes ele acerta, às vezes erra. Mas com uma aposta desse tamanho, vamos descobrir logo se ele está certo dessa vez.
Fonte original: Wired AI
Este artigo foi gerado automaticamente pelo AI Digest a partir de multiplas fontes e curado por nossa equipe.
Fonte original
www.wired.com